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KURUPÍ, ÚLTIMO BICHO PILINGÜE Y VELVET-MAKÁ-URBANIZADO KE HALA Y FALA EN ESTE BLOG SU SECRECIÓN LINGUÍSTIKA, ESE PORO'UNHOL (PORTUGUÉS 10 % ESPAÑOL 70 %; GUARANÍ PIKANTE 20 %) SERÍA EN EL FONDO DEFINIBLE COMO UN SAN CULOTTISMO POÉTIKO, GRITO A CALZÓN KITADO, PENE ERECTISMO FULL TIME, UNA FALANGE ANARKO-PARA-MILITAR DE LA LETRA, UNA ALUCINAZIONE PARANOKIA-KRÍTIKA DEL DAS KAPITAL YANKEE, Y SU MAYO DEL 68 UN TSUNAMI-YIYISMO SIN BOMBACHA PRA XUXU, UN BAILE DE SAN VITO TEVINANDÍ PAGUASU!!!

sábado, abril 09, 2011

Interviu con Régis Bonvicino

1. O senhor é um poeta com uma trajetória. Durante esses anos, a partir de sua observação, houve períodos em que a poesia teve mais espaço, seja no mercado e por parte de público? Caso sim, em que períodos?
Ainda bem que sustentei por 35 anos uma trajetória, não? Já vi tantos tombarem pelo caminho... Houve períodos mais ricos, anos 1970, 1990 e mesmo os anos 1980, comparados com o que há hoje (anos 2000) – a era da banalização da poesia, feita por amadores, por verdadeiros idiotas. É o clichê: precisa aprender a tocar Mozart, precisa aprender a tocar o piano. Mas, esse empobrecimento é brasileiro. A cultura brasileira é aberta ao mundo pop, mas a literatura é fechada, e isso é estimulado pela crítica nacionalista predominante. Existem, entretanto, poesias muito ativas e com excelentes poetas: Bei Dao, na China; Charles Bernstein e muitos outros nos EUA; na França, Edgar Pou; e Cristino Bogado no Paraguai; no Chile etc. Existe hoje uma ditadura do “subjetivo”, que sucedeu à ditadura das tradições, e ela levou a essa poesia confessional brasileira, ao egocentrismo amador etc. Não é poeta quem se considera – ao contrário do que pregava Leminski. Mas é o poeta quem faz a riqueza de si mesmo e de sua época.
2. Dizem que poesia não vende. Poesia vende? Poderia comentar?
A rejeição à poesia é um fato que reputo muito interessante, positivo. Um dos componentes dessa rejeição é o clichê: “poesia não vende”. Arte precisa ser rejeitada.
3. Quem lê poesia hoje? Poetas são os leitores de poesia?
Por favor, pergunte a Walt Disney isso (risos). Não há leitores de prosa também – os prosadores ganham prêmios etc., entretanto não são lidos. O Brasil tem uma educação sucateada; é um dos piores países no que diz respeito à interpretação de textos. Está entre os dez piores do mundo. As faculdades de Letras rejeitam a poesia in totum. Que bom! Preferem estudar autores autorizados pelo mercado internacional. Há um quadro de ignorância generalizado.
4. Hoje, como é publicar poesia? É difícil encontrar espaço para publicar?
Sim, é muito difícil. Não temos um mercado capitalista mas um “mercado de estado” ou temos aqueles inúmeros selos de aluguel. Vergonha. Vergonha de quem paga para publicar em tal ou qual selo, para tal ou qual editora.
5. Os seus livros de poesia foram editados todos por editoras ou o senhor bancou alguns deles? Já ganhou dinheiro com poesia, com livros de poesia?
Tive sempre editores, exceto para os três primeiros livrinhos; nesses, informei: edição do autor. Já ganhei um pouco de dinheiro com poesia, mas não dá para pagar as contas de modo nenhum. Nunca.
6. Há poetas recentes que o senhor admira? Falo em termos de Brasil.
Não acho que existam “poetas jovens”. Existem poetas. Sim: Douglas Diegues, Sérgio Medeiros, Márcio-André, Victor Paes, Luis Dolhnikoff, Ronald Augusto, Josely Vianna Baptista, embora ela esteja calada demais para o meu temperamento, Felipe Fortuna, Antonio Cícero e outros que não me vem à mente agora. Algumas coisas do Gullar, do Pignatari e do Augusto de Campos. Etc.
7. Qual a sua opinião sobre o cânone que apontam como bons poetas: Drummond-Bandeira-João Cabral e outros poucos? O que está por trás disso? São sempre poucas vozes as apontadas como as “melhores”. Poderia comentar?
Cânone é uma coisa para historiador literário, coisa também de “mercado”, para jornalista. Melhor/pior é coisa de mercado, idem. Prefiro ler livremente todos os poetas. Prefiro Murilo Mendes a Bandeira, por exemplo. Murilo é muito avançado, inovador, excelente. Drummond é muito desigual: tem as melhores coisas do mundo e as piores. Cabral é o meu preferido.
8. Poesia é dom? Somente quem nasce para a coisa é poeta? Ou um poeta pode construir-se, fazer-se poeta?
É dom, transpiração e inspiração. Mas se quiser pode adquirir esse dom. Só houve um Rimbaud.
9. O que é poesia?
Se soubesse, parava de escrever, porque escrever é indagar “o que é poesia?”.
Marcio Renato dos Santos, jornal GAZETA DO POVO, Estado Paraná

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