kurupí akärakú paraguay akärakú kurupí paraguay akärakú paraguay akärakú paraguay

KURUPÍ, ÚLTIMO BICHO PILINGÜE Y VELVET-MAKÁ-URBANIZADO KE HALA Y FALA EN ESTE BLOG SU SECRECIÓN LINGUÍSTIKA, ESE PORO'UNHOL (PORTUGUÉS 10 % ESPAÑOL 70 %; GUARANÍ PIKANTE 20 %) SERÍA EN EL FONDO DEFINIBLE COMO UN SAN CULOTTISMO POÉTIKO, GRITO A CALZÓN KITADO, PENE ERECTISMO FULL TIME, UNA FALANGE ANARKO-PARA-MILITAR DE LA LETRA, UNA ALUCINAZIONE PARANOKIA-KRÍTIKA DEL DAS KAPITAL YANKEE, Y SU MAYO DEL 68 UN TSUNAMI-YIYISMO SIN BOMBACHA PRA XUXU, UN BAILE DE SAN VITO TEVINANDÍ PAGUASU!!!

viernes, abril 09, 2010

Malcolm Mc Laren is dead: Ya No será muy malo

CAPíTULO 2

A Inglaterra tramando

Bob Gruen:

Na primeira vez que fui pra Inglaterra, o único número de telefone que eu tinha era o de Malcolm MccLaren. Eu o conhecera em Nova York quando eje estava andando com os New York Dolls. Entao liguei pra ele, e ele me levou ao Club Louise.

Havia todos aqueles garatos por lá, usando roupas esquisitas e comezando a cortar o cabelo daquele jeito espetado esquisito. Uma banda tinha se formado naquela cena, os Sex Pistols. Eles entraram no clube e ficaram fazendo pose, ridículos - como se fossem grandes estrelas. Todos os garotos ficaram parados por lá tipo: "Ooh, sao eles, eles sao o máximo."

Os Sex Pistols eram o centro total das atenzioes desse grupo de garotos que incluía Joe Strummer, Mick Jones, Billy Idol, Adam Ant e Siouxsie Sioux. Todos diziam: "Quem me dera ter uma banda."

Entao eu disse: "Fazam uma. Nao parece ser muito difícil." Sabe como é: "Esperto demais pra escola e burro demais pra arranjar um emprego."

Malcolm McLaren:

Quando crianza, sempre que me mandavam escrever "Nao serei mau", eu mudava pra "Serei MUITO mau". E isto sempre me divertiu - embora na escola de arte fosse um pouco de desperdício. Pra mim, a nozao oficial de mau precisava ser redefinida. E a nozao de bom significava coisas que eu absolutamente achava que tinham de ser destruídas.

Quando saí da escola de arte, no comezo dos anos setenta. isto pra mim significava Brian Ferry. Significava calzas de veludo verde. Significava os hippies, coisas jovens e brilhantes, realismo socialista, a bandeira americana, televisao e pós­graduazao, A primeira camiseta que desenhei era puramente sobre a tentativa de determinar que, ao acordar de manha e perceber de que lado da cama voce está deitado, voce também saberia que havia uma lista de coisas "boas" e de coisas "más", e' esta lista foi o comec;o pra eu decidir de que forma usar o "mau" e como faze-lo funcionar de uma maneira que pudesse transformar definitivamente a própria cultura popular.

Nesta lista havia um nome -os Sex Pistols, que significa­vam todos os tipos de coisa pra mim. Ele surgiu a partir da idéia de uma pistola, uma pin-up, uma coisa jovem, um assassino com um visual legal- uma pistola de sexo. E lanzar essa idéia na forma de uma banda de garotos que podiam ser considerados maus era perfeito, especialmente quando descobri que esses garotos tinham a mesma raiva que eu. E possivelmente podiam me ajudar a continuar sonhando e me fazer recusar pra sempre a voltar pro que me aterrorizava - a normalidade.

Mary Harron:

Dava pra sentir o mundo realmente se movendo e balanzando naquele outono de 1976 em Londres. Senti que o que a gente tinha feito como piada em Nova York fora levado a sério na Inglaterra por uma platéia mais jovem e mais violenta. E que, de alguma forma, na traduzao, aquilo tinha mudado, tinha acendido alguma coisa diferente.

O que pra mim tinha sido uma cultura rock muito mais adulta, intelectual e boemia em Nava York, se tornara essa coisa louca adolescente na Inglaterra. Lembro de ter ido ver o Damned, que achei realmente temível, tocar naquele verao. Eu estava usando minha camiseta da revista Punk e fui cercada.Quer dizer, nao tenho como descrever a recepczao que tive. Todo mundo ficou muito empolgado por eu estar usando uma camiseta que dizia "Punk".

Fiquei sem palavras.

Lá estava eu no backstage, e havia milhares de garotinhos como monstros de pesadelo, sabe como é, pequenhos espiritusos malignos com os cabelos pintados de vermelho cintilante e rostos brancos. Todos estavam usando correntes e e coisas fincadas na cabec;a, e fiquei pensando: "Oh, meu Deus, o que a gente fez? O que a gente criou?"

Era como se a gente tivesse feito uma coisa - e de repente ela virasse outra que a gente nao pretendia ou esperava. Acho que o punk ingles era muito mais volátil e mordaz-e mais perigoso. ~

Jay Dee Daugherty:

O Patti Smith Group foi a Londres depois de Horses ser lanzado e tocou naquele lugar chamado Roundhouse. Havia uns oitocentos ou mil lugares, o que naquele tempo era um monte pra nós,

A multidao foi a loucura. A gente acabou detonando os instrumentos. Chutei um dos meus tambores na platéia e quebrei o dedo do pé e entao, depois disto, fiquei mancando por lá com uma bengala que Kate Simon comprou pra mim.

Na noite seguinte um amigo de Lenny disse: "Voces tem mais é que ir naquele clube na Rua Oxford e ver essa banda, os Sex Pistols," E nós: "Que nome estrambólico! Vamos lá." En­tao a gente foi, e era urna espelunca - o chao nadando em cerveja e a rapaziada com um ar meio grungy - nao punks, só aquilo tipo de gente feia dos anos setenta.

A banda entra, e a gente fica tipo: "UAU!"

Antes mesmo deles tocarem a primeira canzao, John Rotten diz: "Alguém foi na Roundhouse na noite passada ver a hippie sacudir os pandeiros? Horses, horses, HORSESHIT." (Cavalos, cavalos, bosta de cavalo.)

Disse pra mim mesmo: "Porra", nossos quinze minutos de fama passaram rápido.

Malcolm McLaren:

Eu era pelo menos uma gerazao mais velho do que a gerazao que eu empresariava. Eu nao era da gerazao dos Sex PIStol’s, era a gerazao os anos sesenta.

Por isso minha relazao com os Sex PIstol’s era uma ligazao direta com aquela opressiva angústia existencial, motivo primordial pra fazer qualquer coisa no rock & rol! - abandonando a nozao de carreira -, e com aquele espírito amador de faza­voce-mesmo típico do rock & roll. Foi assim que cresci, com a idéia de que voce podia fazer coisas.

Lá pelo comezo dos anos setenta, a filosofia era de que voce nao podia fazer nada sem um monte de dinheiro. Entao minha filosofia se voltou pra: "Foda-se, a gente nao se importa se nao sabe tocar e nao tem instrumentos realmente bons, a gente ainda está fazendo porque acha que voces sao um bando de escrotos."

No fundo, acho que foi isto que criou a raiva - a raiva era simplesmente por causa do dinheiro, porque a cultura tinha se tomado corporativa, porque a gente nao a possuía mais, e todo mundo estava desesperado pra te-la de volta. Essa era uma gerazao tentando fazer isso .

Mary Barron:

Fui ver Malcolm McLaren na loja dele.

Eje tinha um jeito meio fresco - muito teatral. Levemente afetado. Sarcástico. Mas muito legal. Conversei com ele muito rapidamente, e ele disse que ia deixar meu nome na porta pro show dos Sex Pistols no Eric's, em Liverpool.

Como todos os eventos legendários a que assisti, o concerto dos Sex Pistols esta va semivazio. Havia umas cinco pessoas vestidas como punKs, e todas elas se conheciam .Era como na época do punk em Nova York - havia cem pessoas envolvidas, e todo mundo conhecia todo mundo. O show foi ruim. Foi desleixado. Houve uma pontinha de telhazao casual, Johnny meio que segurando o microfone dizendo: "Foda-se o sol!" Ele era muito sarcástico e danzava de un jeito esquisito. Adorei.

Era como se algo de verdade estivesse acontecendo no palco. Era como se eles estivessem vivenciando uma coisa ·0 excitante. Me senti tipo: "Oh, meu, isso é um evento extraordinário da vida real!"

Bob Gruen:

No dia seguinte fui ao l0ft onde os Sex ensaiavam e fiz uma sessao de fotos com ejes pra Rock Scene . Quando entrei no l0ft, Steve Jones dlsse: 'Aceita um poco cha?”

Eu tinha ouvido falar da reputazao da banda antes de chegar na Inglaterra, daí pensei: "Esses caras sao completamente normais." Sabe como é: "Onde é que está a esquisitice ¿ Fiquei olhando pra eles - ninguém cuspiu no chá, sabe? Nao tiraron ni uma garrafa em mim, nem nada. Era um bando de caras totalmente comuns, sentados tomando chá numa tarde inglesa.

Daí apareceu Johnny Rotten. Ele era um pouquinho estranho porque tinha uma autentica maldade, aquela negatividade em tomo dele, como se estivesse se esforzando pra conseguir aquilo. Ele dizia coisas sarcásticas e cínicas realmente surpreendentes. "Uau, me desculpe por estar na sua vida." Mas todos os outros pareceram relativamente sociáveis e muito legais. E Johnny pareceu se acalmar um pouco.

Entao comecei a tirar as fotos e sugeri fazer algumas deles tocando no lugar onde ensaiavam, no andar de baixo. Johnny Rotten tinha uma garganta sensível, entao eu disse que nao precisava cantar de verdade. Fotos sem som, certo? Mas Johnny comezou a cantar "Substitute", do Who. O que foi maravilhoso, porque eu era um grande fan do Who. Estava tirando fotos e pensando: "O que há de tao estranho nisso? Eles sao apenas uma boa banda de rock & rol!. Onde está o chamariz? Tipo, quando aparece a parte muito louca?"

Nao captei.

Mary Harron:

Eu conhecia a Inglaterra, tinha crescido lá, por isso pra mim foi como um cartum que virasse realidade. Quer dizer, nao inteiramente. Havia um monte de pose naquilo. Era horripilante - havia aquel a gente esquista e desconexa perambulando por lá. Circulei pelo backstage sem problema. Eu estava muito assustada. Eu era facilmente intimidável. Afinal, era Johnny Rotten.

Mas ele era fascinante. Bem, Johnny era, os outros nao.

Johnny me protegeu dos outros - Steve Jones e Glen Matlock estavam bebados e fazendo uns comentários grosseiros pra mim, e Johnny dizia: "Ela é legal, deixem pra lá."

Eu estava usando minha camiseta da revista Punk, e ele foi muito legal comigo porque eu era uma garata de um fanzine, essencialmente do primeira fanzine.

Eu tinha ido pra entrevista com uma comitiva, porque tinha conhecido aqueles garatos com calzas emborrachadas que pareciam aterrorizantes, mas eram apenas cabeleireiros de Liverpool cujo maior sonho era conhecer os Sex Pistols. Bem, Johnny Rotten ficou meio puto com a comitiva, mas foi muito legal comigo. Ele disse: "Nao, parem com isso, ela é legal, estas perguntas sao interessantes."

Lembra de pensar o quao incrivelmente esperto ele era - era uma das pessoas mais espertas que eu já tinha conhecido -, alguém muito jovem que tinha um ponto de vista e por algum motivo estava absolutamente no centro desse redemoinho, porque eles personificavam o que estavam representando. Nao era papo furado. Eles deram respostas completamente claras, profundas, muito espertas, muito seguras, divertidas­eles viam claramente o culto do qual eram os pregadores e sabia m exatamente o que estava rolando naquilo. De todas as entrevistas que já fiz, com certeza a de John Rotten foi a mais impressionante.

Fui com um ex-namorado, que se aborreceu. Ele disse pra mim: "Sinto muito, mas essa coisa toda é uma fraude ­tudo nao passa de onda, arquitetada por Malcolm McLaren."

Daí ele me disse que eu era uma idiota por ter caído naquela.

Malcolm McLaren:

No comezo, quando achei que os Sex Pistols nao estavam acontecendo, pensei: "Oh, talvez eu faza Richard Hell vir e se juntar aos Sex Pistols. Ou tal vez pegue até Syl Sylvain."

Era uma idéia estúpida da minha parte, porque nao haveria como Hell ou Syl se encaixar nos Pistols - as sensibilidades deles eram completamente diferentes. Hell e Syl estavam anos a frente dos Sex Pistols - e os Pistols eram incrivelmente ingenuos. Eles me pareciam muito ingenuos, por isso era assim que eu os tratava. Quer dizer, provavelmente eu era o ingenuo, e aqueles caras eram muito mais informados e conscientes do que eu.

Nem trepei com nenhuma daquelas garotas da cena de punk rock, bem que eu queria ter, mas na época pensei que todas elas fossem inocentes garotinhas virgens!

Nao sabia que elas estavam se picando nos banheiros e trepando com um milhao de caras. Eu costumava me virar pros entrevistadores e dizer: "Do que voce está falando? Essas pessoas sao virgens! Só porque usam urnas porras de urnas coleiras de cachorro e eu vendo camisetas emborrachadas pra elas nao significa que elas estejam trepando com um exército de caras num ponto de onibus."

Eu estava totalmente errado, é claro. Fiquei completamente pasmo ao descobrir quao errado, cinco anos depois daquele episódio. Eu disse: "Quer dizer que de fato voce fez todas essas coisas nos banheiros enquanto do lado de fora eu tentava acertar o show? Voce está me dizendo que estava trepando com a mesma garota que Steve Jones? Nao pensei que nenhum de voces estivesse fazendo esse tipo de merda."

Fiquei estupefato. Ainda estou chocado. Até onde iam as drogas, eu nao sabia o que as pessoas estavam usando. No tenhia a menor idéia.

Eu era apenas esse sujeito estranho com aquele sonho louco. Estava tentando fazer com os Sex Pistols o que fracassara em fazer com os New York Dolls. Estava pegando as nuances de Richard Hell, a veadagem pop dos New York Dolls, la política do tédio e misturando tudo pra fazer urna afirmazao, tal vez a minha afirmazao final. E irritar aquel a cena rock & roll, era isso que eu estava fazendo.

Eu nao estava comezando nada de novo, estava esperando a minha vez pra fazer a declarazao que tentava fazer desde que tinha quatorze anos de idade.

extraído de "MATA_ME POR FAVOR", legs mcneill & gilliam mccain, versión portuguesa, 2004, 26-32 pp.

http://www.latercera.com/contenido/661_224793_9.shtml

http://noticias.lainformacion.com/arte-cultura-y-espectaculos/fallece-malcolm-mclaren-inventor-de-la-cultura-punk_AGhchVIqG1O1fkok0kEVB7/

http://en.wikipedia.org/wiki/Malcolm_McLaren

http://www.elpais.com/articulo/cultura/Muere/Malcolm/McLaren/ex/productor/Sex/Pistols/elpepucul/20100408elpepucul_10/Tes

No hay comentarios.: